03 Novembro 2011

Recomeço, não finalizo

Após um ano de chove não molha, 365 dias de indecisões, dúvidas e balelas: cansei.

Diria um recomeço, mas o clichê amortece o que deveria ser sentido à carne viva...

Sem começos ou possibilidades, visões e iniciativas,
coloco um ponto final.

Com amor e dor latente porém mornas,
cansei e finalizei.

Só resta ao coração convencer-se do que a boca diz.

16 Outubro 2011

Testemunhas, pombas e olhares

Duas da tarde, C. e eu indo para a escolinha dela. Atrasadas. Minha mente percorrendo o caminho diário já sabido: metade antenada na pimpolha, outra metade a percorrer aqui, ali, sondando para além dos vidros, cuidando ruas, de olho no céu azul de um dia de dezembro que começou bem frio, mas que agora está quente e abafado.Nesse trânsito visual, penas se destacam mais à frente. Tudo muito rápido, penas dançando sobre as luzes da sinaleira e um caminhão. Diminuo o passo, eu e a nenê em segurança, na calçada, uma pomba caída no chão. Antes que eu concatenasse se ela tinha caído do caminhão – era o que parecia,,, nosso cérebro oferece explicações doidas e estranhas,,, depois fui perceber que o bichinho havia sido atropelado. Antes de continuar pensando, observei uma mãe com uma filha vindo em nossa direção, mas o olhar virando a cada passo, dedos apontando, alguma explicação ao ouvido. Um carro passa por cima, outro não toca. Nessa altura, nós duas estávamos ao lado da pomba, bem ao lado, uns dois metros de distância, e percebi – talvez pela voz exclamativa da outra mãe – que a pomba se mexia. Elas se vão. Não deixaria a bichinha ali, a ser massacrada sistematicamente. Olhei para os lados, sem sinal de pessoas por perto – parece que está, nesse momento, acontecendo um jogo importante, é alguma coisa internacional de clubes e tal; a cidade parece de férias.... num bar que passamos pouco antes, a voz do Galvão.... os caras bebendo várias, enfim – nada de ninguém por perto, rapidamente estaciono o carrinho, corro até a rua, recolho a pobre pombinha e a coloco, com o coração partido, na soleira de uma porta.Catarine e eu continuamos nosso destino. Penso em cada possibilidade de encontrar alguém para ajudar... olho pra cada vitrine, a avenida é cheia de lojas e comércio e empresas e. mas nenhuma plaquinha furrepa para “veterinário”. Sigo mal.E se na volta ela estivesse viva? Não poderia levá-la pra casa, poderia ligar pra alguém.... quem atende cachorro e gato atende pomba? Alguém me diria que não servem pra nada, só pra transmitir doença e tal...?E sigo, ainda bem que faz sol e estou de óculos escuros porque é isso mesmo,,, a agonia, e se ela morrer? Mas não é a morte, é o sofrimento.... tem sofrimentozinho pra caramba nessas estradas, nessas vivências de um povo que eu nunca conhecerei... e tem aqueles grande e aqueles pequenos, e tem esse, da pombinha sendo atropelada e a dor... começo a pedir mentalmente, tipo uma oração, sabe? Que ela vá em paz, que não sofra. Isso é muito foda.Deixo minha pequena e volto pra casa. Já não me apetece comprar a presilha de cabelo que eu pretendia, nem quero saber, mas entro na loja pra me distrair, não tem, acabou a que eu queria, sem problemas.Sigo. Sigo pensando. O que fazer quando cruzar com o bichinho? Negar sua existência palpitante,,, talvez uma asa quebrada? Não me venham com papo de que tem gente nas ruas,,, Tb crianças... outra hora escrevo o que sinto ao vê-las, o que fiz a respeito... pra q? “o perfeito valor consiste em fazermos sem testemunhas tudo quanto seríamos capazes de fazer diante do mundo inteiro” (não lembro o autor... Roche... alguma coisa).Vou me aproximando.... enterrar é mais fácil do que cuidar. Engraçado a procura de alívio, de tirar da frente o que nos causa desconforto... se ela estivesse ali, levaria pruma praça? E quem a pegaria? Teria que seguir um fio invisível da intuição que conduzisse às proximidades de alguém que se disporia... e não tivesse criança em casa ou tivesse pátio... sei láVou me aproximando. Não escondo o discreto sorriso quando não a vejo. Chego com mais determinação e definitivamente a soleira está vazia. Começo a imaginar que a bichinha saiu voando.... andando,,, faceira... ou penso em quem teve a oportunidade de levá-la com o olhar atento de verificar que ainda estava viva...Páro e reflito e fico ali,,,, resolvo entrar na garagem ao lado, mesma propriedade da porta fechada... demora mas vem um rapaz e comento... falo da pombinha,,, sabe o que ele faz?Aponta prum canto e lá está ela. Ele deu água e ela está ali.,,, caminhando discretinha escondida atrás do pneu dianteiro...Eu explico tudo o que houve e peço que ele dê água então. Ele diz que ficará cuidando e daqui a pouco ela deverá sair sozinha.E o peso do coração desaparece.Continuo caminhando... o dia voltou a ser o que era... piegas mas fato. E a cidade em silêncio....Daqui a pouco, duas mulheres, uma bem nova, talvez filha, carregando várias caixas... em seguida, outra mãe e outra filha se aproximam de um homem sentado na muradinha do restaurante. Morangos. Eram caixas de morango.Eu estava com crédito de 7 reais que não havia gasto com a presilha. Não custava perguntar quanto era. Antes da primeira sílaba, antes de estancar o passo, o homem vai logo oferecendo. Diz que são 10, a caixa toda, com 4 bandejas,; afirmo que não tenho mas procuro o dinheiro na niqueleira a procura de uma nota de 5 e moedas... abro e o que vejo? Uma nota de dez reais que nem lembrava. O “compra-pelo-amor-de-deus” junto com o olhar da esposa e o sorriso e a sinceridade,,,Pouco depois, eu caminhando com a caixa de morangos. Estamos perto do natal, não sei se eles comemoram,,, mas têm que ter o direito de querer comemorar,,,Começo a pensar que não foi por acaso que a nenê chorou escandalosamente quando não deixei que ela brincasse com o perfume e que a fralda que vazou e que tive que trocar e que nossa demora não foi por acaso... chamei a nenê mais tarde, o que não costumo fazer... isso eu já havia pensando depois que soube do destino da pombinha.Agora pensando algo sobre olhar, atenção, ligações ocultas...Resolvo não ir ao super. Vou logo pra casa escrever minha conclusão da dissertação. Depois eu vejo. E vou pensando nisso.Na frente do meu prédio, um senhor recolhendo caixas de papelão. Duas meninas na carroça.Me dou conta de que tenho papelão nas mãos quase junto com a percepção dos olhares das gurias sobre os morangos.Dou a caixa pro homem, talvez avô, e uma caixa de morangos pras meninas.Só sei que subo as escadas pensando “é louco,,,”.
As coisas simples, sabem, o simples, o sorriso da minha filha, com os dentes de leite grandes, exibidos, o abraço, o afeto espontâneo; o olhinho da pombinha se fechando quando a protejo sobre meus dedos, o olhar do homem e o sorriso da mulher daquela família; as meninas e a caixa dos morangos; de algum jeito o que sinto e vejo terá espaço no meu trabalho acadêmico, senão de nada valeu.
Tudo está interligado, a vida está em tudo e a arte e a literatura devem se conectar com o âmago do sujeito – que respira simplicidade – e ninguém tem que concordar comigo.
A gente não tem que dizer o que faz ou deixa de fazer a respeito de certas coisas, ou faz ou não faz. Mas isso eu tinha que dividir com alguém, talvez com vocês.Porque por aqui há silêncio.
Tem um jogo muito importante acontecendo, bem longe das coisas simples aqui do meu bairro.

enviado por e-mail em abril de 2011

Incomodação

Esses dias festivos tem um quê de chatice... e incomodação

Meu queridíssimo Gasparetto sugere, numa coluna semanal, que pensemos o seguinte:
"(...) Sim, eu posso me manter tranquila, deixando que as pessoas cuidem de seus problemas e assumindo os meus. Eu posso me manter tranquila não esperando nada de ninguém. Porque decido ter humor e não levar as coisas exageradamente a sério. (...) Posso rir e jogar fora mágoas, tristezas e desilusões.(...)"
Mas e quando as criaturinhas insistem em te tirar do sério, te telefonando para insistir no erro de entender tudo errado e ainda dizer aos quatro cantos que blá, blá, blá...

Ai... ai... ai..."pra num fazê o engulido, fazê o afastado".
Me erra, dona...

postado em novembro passado

Doidera

Ontem, num "lindo e comemorável" Dia dos Professores, lembrei de postar algo antigo. Mas só hoje dei-me ao trabalho...

Se eu fosse doida, ligava.
Pegava o telefone e ligava mesmo, diria: "alô".
Mas não tenho o número, e é quase uma da manhã.
Se Caio F. Abreu estivesse vivo,

daria um jeito de ser amiga dele, e ele escreveria um conto sobre o telefonema que não dei...
Mandei e-mail.

Louca.
Um convite prum café, não motel não namoro; just um nadinha.
Mas é dele que meu cérebro precisa no momento.
Um outro cérebro, uma mente aguçada que me eleve em dimensões um tanto incomuns dessa rotina que quebra.
Não respondeu.

Tudo bem.
Foi doidera.
Mas prefiro assim.
Um risco, um palpite, um gole quase nos lábios, do que a ânsia de só imaginar tardes inteiras a conversar, até que o silêncio seja o melhor diálogo.
Doidera.

Ainda bem que não respondeu.
Senão, eu toparia (e ele nem sonha).

Vínculos

O anel bate ritmado na xícara
me perco no aroma terroso
Nesses dias decisivos
de força avassaladora e crua
me reconforto sob a fumaça a cortina a parede
Aqui dentro
ao menos o sangue das veias
ou vinho

que importa
e olho minha aliança...


escrito por mim em 10.06.10

26 Junho 2007

Águas


Tô eu aí, numa lagoa em Santa.



O verão foi dez... Uma viagem de carro até Espírito Santo.




Ando precisando de um banho desses...


chuveiro tem servido, mas a água corrente leva e não traz...

21 Abril 2006

Noite

Havia sangue na parede. Quando ele acordou, a primeira visão que teve foi aquela imagem, à sua frente, cujo sangue escorria e pingava, gota-a-gota, no chão do quarto, formando uma mancha rubra que ameaçava, vagarosamente, a pilha de livros.
A música havia cessado e agora se ouvia o som de poucos carros e ônibus que, no meio da madrugada, atravessavam a cidade em busca de solitários viajantes.
A mão dela pendia da cama e daquele ângulo, com o corpo recebendo a brisa do ventilador ligado e deitado naquela posição, diria-se que a moça estava dormindo; mas apenas diria-se. Ele levantou, devagar, com a faca pendendo, inerte, da mão esquerda. A mesma mão que estivera (há quanto tempo mesmo?!) extremamente viva...
Estava com olhos saltados e avermelhados de tanto choro. Choro. Suas lágrimas haviam-se misturado ao suor do prévio momento e agora não restava mais força alguma para chorar... nem vontade.
Caminhou em direção ao espelho, para observar melhor seu próprio rosto, como que para convencer-se de que, realmente, ainda estava ali. Além daquele estranho, que o olhava e o intrigava... havia um ferimento vertical, um rápido corte que talhava parte de sua face.
E pensou que não era tão profundo. Não como a dor da lembrança da mão inimiga, que não o deixara em paz.

07 Abril 2006

As fumaças entravam enquanto ela cuspia a semente...

Precisamente às quinze horas e trinta minutos, a máquina do café expresso parou de funcionar, deixando uma espuma grossa e marrom a pingar preguiçosamente no copo plástico, agora esquecido; e todos os computadores desligaram-se ao mesmo tempo. A falta de luz acobertou desejos e pensamentos levianos que pairavam no ar. A penumbra acomodou-se e o cheiro de cigarro subiu às janelas, agora abertas. O calor abafou respirações e gestos, e o suor escorria da testa do auxiliar contábil, que estava nervoso com as horas... Tudo escuro, em plena segunda-feira, final de mês, era tudo o que ele não queria. A cadeira rangendo fazia-se escutar da outra sala.
O diagramador calmamente escolheu o cigarro, apanhou o isqueiro e se foi, sem dizer nada. Os chefes, obcecados e neuróticos, andavam de um lado a outro. A secretária, sem sucesso e ramais, ligava para a operadora de luz, e para a amiga. A maioria suando, com ranço e sebos e amorfosidades áuricas, conversavam e riam de piadinhas mal-contadas. O tempo, o final de semana, o jogo de sábado... Coisas e coisas a acumularem-se e a poluírem o ar, mais, bem mais que o cigarro do jovem do andar de baixo. A neurose daqueles funcionários já pardos, já nada...
Ela, beirando os 40, a sandália 37 esmagando e avermelhando como pimentas tinindo ao sol os dedinhos dos pés 38 e dona do segundo menor salário, permaneceu por alguns minutos a contemplar a tela negra. Seus olhos refletidos não refletiam luz. Que lhe importava tudo isso? A correria de uns, a mansidão contemplativa e medíocre de outros. Mal estava ali, mal estava sentada. O que haveria acontecido com ele? Essa incomunicabilidade toda do dia anterior fê-la acordar, triste, no meio da noite e mal dormir depois. Pesadelos eram visitantes odiosos e já faziam parte do cérebro, da mão, do pescoço, da nuca...
Levantou-se, quase flutuando, e foi à geladeira. A fruta estava ali, e ela a apanhou. Voltou-se à janela distante da sala, na ponta da última divisória. O caqui permanecera gelado. Com delicada cerimônia, seus dentes cortaram-no, revelando as fibras vermelhas e gosto doce. Parecia um coração. Ela imaginou degustar seu próprio coração. E isso lhe deu muita calma. O celular desligado das últimas vinte e quatro horas fizera-na sentir-se excluída do mundo em que havia sido convidada. Uma simples ligação dizendo que, "hoje não, realmente, hoje não vai dar, preciso trabalhar em casa e juntos não conseguimos. Vou querer fazer amor e você sabe que será assim. Tenho projetos e exercícios para fazer. Vamos fazer assim: amanhã nos falamos" facilitaria as coisas. Poderia ter sido assim, seria bem mais justo e muito menos, muito menos egoísta. Estava chateada por pensar que não merecera a oportunidade de mostrar sua parceira e seu apoio. Ela, tal como ele, levava a vida, às vezes, odiando, às vezes, sorrindo e, na maioria do tempo, esquecendo do próprio sangue, ou vinho, que corria nas veias. E mais triste que qualquer exclusão arbitrária, era a sensação de ser previamente julgada, erroneamente considerada incapaz de suportar um não.
A vida lhe ensinara a aceitar os nãos. Ela, depois de quatro décadas quase vividas, porque quase sempre é quase, aprendera com as adversidades, principalmente, com os becos sem-saída, como são os nãos. Ser amante dava nisso. Oito anos atrás, quando o conheceu, não imaginava como seria difícil que ele se separasse da mulher e ela, jamais pensou-se amante por tanto tempo...
O caqui já estava no último pedaço e a tristeza aumentou-lhe no peito. As três-e-meia da manhã, sem sono e agitada, acordou para a realidade e para a solidão. Na pia, a louça acumulava-se e a gordura já velha de anos, permaneceria por muito tempo na paisagem. Os olhos dele aparecem na janela, mas estavam do lado de fora e não eram um convite. Um lindo par de olhos e cílios que nunca saíram da memória. Ser a única convidada de sempre, na madrugada do cotidiano, com o céu doce e úmido da madrugada, a ajudava a clamar por ele.
Caixa-postal. Após tentativas quase vãs, com o manto azul a apresentar-lhe um crepúsculo raso e mediano, ela adormeceu. Em seguida, o alarme do despertador gritou-lhe aos ouvidos. Sem ânimo, vestiu-se, e saiu.
E agora estava ali, naquele escritório fétido e asqueroso, cercadas de seres que falavam outra língua e confusa, porque ele era do seu mundo, e não estava presente. As agonias de quem começa a amar o desconhecido e os medos da única coisa que pulsa realmente nesse afã chamada vida poluíam sua esfera mental e tudo, tudo estava sem graça.
Voltou à sua mesa e abriu o livro. Neruda a aguardava disposto a mostrar-lhe que ela não estava tão só, mas as idéias viajam e navegavam até o outro... E seu coração, dentro em breve, desintegraria suavemente, caso ele não viesse.
Passaram-se dias, meses, mais um divórcio aqui, mais outro fim de caso ali... e quando, em outra paisagem, o amor chamou-lhe como convidada de honra, foi a vez dela dizer não. E até hoje, ainda pergunta-se o porquê de estar sozinha, sem perceber que a esperança íntima foi embora, no dia em que ele não ligou e o último sorriso estampou-se na fumaça do cigarro que entrava pela janela.

06 Abril 2006

Eram umas casas, muito engraçadas...

Olha aí uma tentativa... minha, própria mas não única. Não datei o desenho.
p.s.: caro anônimo: vc é um nerd de computador? Preciso de algum voluntário para me ajudar a alterar a configuração do meu blog, como cores, por exemplo...

04 Abril 2006

Minha primeira poesia: Lua

Quando tinha doze anos, fiz minha primeira poesia.
p.s.: continuo acreditando...

Lua
Fases previstas
A cada momento um corpo brilhoso
De brilhos diferentes
Aprendi a te amar, a conhecer tuas mudanças
Algum dia, minha vida se abrirá para isso
Como a rosa se abre para o encanto, conhece o amor
Eu também serei amada
E meu amor surgirá no coração
Nele a paixão se esconde
O fogo da vida desperta em doces fases
Um calor que irradia os seres permitidos a essa combustão duradoura
E no ser ocorrerá a última fase de realidade
O fogo se tornará fumaça
Mas eu sei
Eu sei que somente o corpo murchará
Pois o espírito continua aceso
Vivendo uma fase de paz
Numa lua
De outra vida

31 Março 2006

O que o (meu) tempo nos (me) reserva?


Vai aí a solicitação da minha prima mais nova... poderia dizer priminha... dei banho... dei mamadeira...
Era um dia ensolarado lá na casa da minha mãe...

Então, vai aí uma amostrinha de sol e calor...

Caro leitor crítico, chato, severo, inteligente e sagaz... (é, pois é, tudo isso). Primeiro veio a expectativa, depois o calor ao ler palavras desafiadoras mas não menos muito-bem-sacadas...
Por fim, veio o sorriso e o balançar da cabeça que concordava...

O próximo acessório (fiquei feliz. Talvez tenha entendido mal, mas imaginei que você ainda possui alguma esperança de ler algo realmente bom aqui... risos....) será um guarda-chuva.
Não sou disciplinada, e isso é uma escolha que me prejudica. Chego na frente do micro querendo escrever... olhando o relógio da lan-house... não produzo e acabo não fazendo em casa...
Mas acredito que cairão personagens sobre tua cabeça.

Ah,,, caríssimo anônimo (aposto q vc escreve. Se não escreve, deveria...) vai lá no SÓTÃO. Lá publiquei um conto muito longo para o chá.

Que venham as tempestades!

30 Março 2006

Nada além disso...

Já não faço poesia,tenho a impressão que nada cabe em poucas linhas. Sou espaçosa, seja no quadro-negro, seja no papel. ou na boca, ou no jogo.Ocupo mesmo meu espaço, e me alargo. Então, versos não são a minha moda. Prefiro prosa, prefiro linhas em branco a me encarar.
Mas nas horas corridas, em tudo que está indo tão depressa: ou desenho ou lavo a louça (prefiro a primeira opção); ou escrevo ou leio Horácio e seus versos pra facul; ou fico sentada em pleno banco da Praça da Alfândega, batendo papo com um amigo que é artesão de lá, pegando um convidativo sol num dia lindo mas que me surpreendeu (o frio sempre surpreende quem é calorento e não acredita...) ou lavar roupa, limpar casa, fazer comida,ir a banco... Tá, tudo faz parte, e a vida tá cheia de opções.
Só não posso e não quero me perder na poeira. Tirei dois livros na biblioteca que comecei a ler, além de que a mente tá coçando e a mão ansiosa para colocar no papel registros e necessidades.
Nada demais, só um parecer sobre tempo e escolha.

Só não quero e não posso me perder na poeira e esquecer que está chegando a época de abraçar um moleton...

23 Março 2006

Ontem...


Ontem foi aniversário de uma amiga: Vi. Parceira de já alguns anos. Não houve festa, todo mundo sem grana. Mas haverá. Ela nem sabe que está aqui mas vai aí minha homenagem. Minha homenagem não é texto, nem poema. Nem de alguém conhecido, nem de minha autoria. O que vier da minha boca será, mais do que nunca, com a nítida e inconfundível cor que minha alma anda pintando nos últimos dias, e isso, não quero revelar.
Minha homenagem, pra Vi e outras amigas(os) é dizer que sei o quão longe ficamos muitos vezes. Mas a distância física jamais apagará o calor da lembrança e o carinho presente.
Hoje, andei com dificuldade, pulando e olhando para as lajotas das calçadas recém banhadas pela chuva, para que não me lavassem com a surpresa da lama embaixo. Mas isso não é dificuldade. E, por ter ciência de não ter competência de falar sobre a vida, mesmo sentindo-a intensamente na saudade, na esperança, na expectativa e no sabor de uma hora depois da outra, vai aí um silêncio, um bater no peito e um sorriso que há muito, não ofereço pra gente sumida.

Na foto, Claudinha e eu, com os olhos esbugalhados, num barzinho. Na outra, eu, pensando na vida. E pensando...